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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Raul e o meliante.


Vizinho ao Reino Encantado de Mucinho existe o Reino Encantado de Cachoeilândia (porque tem muitas cachoeiras)... e lá também tem um cartório.
E neste cartório trabalha minha amiga Ritoca que, como eu, ama os animais.

Pois bem, Ritoca tem um gato: Raul.
Raul é um vira-lata charmoso, carinhoso, independente.
Resumindo, como todos os gatos tem personalidade felina: FOLGADÃO.
Ele come camarões.
Sim senhor!
E camarões graúdos, comprados especialmente pra ele.
Gosta do sofá.
Só sobe na cama quando ele quer, e não quando Ritoca implora pela sua companhia.
E detesta mudanças de ambientes. Gosta de ficar nos locais que conhece e confia.

Um dia Ritoca precisou levá-lo para Recife, e o colocou na caixa de transporte, no banco de trás do carro.
Confortável, mas meio contrariado, Raul estava, até então, em perfeita segurança.
Antes da viagem, no entanto, houve uma parada no cartório para umas poucas providencias e... putf!
A porta do carro foi fechada com as chaves dentro...
Raul estava preso....

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
MEU DEUS, RAUL VAI MORRER SUFOCADO!


Ritoca desesperada olhava pelo vidro da janela do carro.

QUEBREM O VIDRO!
SALVEM RAUL!


Nesta altura do campeonato, os moradores do Reino Encantado de Cachoeilândia já se amontoavam nas janelas do carro para ver o gato.
E Raul, coitado, já começava a sentir que iria morrer, afinal era estranho sair de seu sofá, mas muito mais estranho encarar tantos pares de olhos olhando pra ele.
Olhos arregalados por todos os lados.
A multidão curiosa se aglomerava.

QUEBREM O VIDRO!
SALVEM RAUL.


Todos tentando abrir, sem sucesso, a porta. Catucando pra cá e pra lá.
Todos pensando numa alternativa para salvar Raul.
Olhando, mexendo e nada!
Infelizmente as chaves reservas estavam em Recife, a duzentos mil quilômetros de distância da fechadura do carro.

QUEBREM O VIDRO!
SALVEM RAUL!


A multidão se acotovelava.
Ritoca se descabelava.
E na hora H, quando já estavam providenciando um paralelepípedo para atirar no vidro, alguém lembrou que a salvação às vezes está bem próxima: preso na cadeira de Cachoeilândia estava um meliante-arrombador-de-carro.
O meliante TINHA que salvar Raul.
Foi feita uma diligência à cadeia local. O arrombador foi conduzido ao local onde o carro estava.
E, pela primeira vez na história da humanidade, um ladrão fez um arrombamento heróico. Raul foi salvo do sufocamento.

Depois, tudo voltou ao normal.
Ritoca ficou com seu carro intacto.
Raul se pôs a ronronar no sofá.
O meliante-arrombador-heroi foi levado à cadeia.

No entanto, gosto de pensar que o ladrão voltou diferente: voltou se sentindo útil na sua "profissão", e que, depois de Raul ter entrado em sua vida, ele resolveu abrir um negócio lícito: um chaveiro. Provavelmente, e infelizmente, este último parágrafo só existe na minha imaginação.
Mas algum de vocês já imaginou um meliante ser retirado da cadeia pra arrombar um carro e salvar um gato?
Provavelmente não.
Mas isso aconteceu de verdade!
No Reino Encantado...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O VELHINHO SUBVERSIVO

Fui correr na Jaqueira, um parque aqui do Recife.
Acordei cedo, calcei o tênis e fui pegar meu quinhão matinal de serotonina.
Todos os andarilhos matinais, assim como eu, seguem o sentido anti-horário da pista. Todos não, quase todos.
Existem os subversivos.
Sim, os que se recusam a seguir o bando. Correm ou andam no outro sentido, não segue uma regra estabelecida sabe-se lá por quem.
Comecei a observá-los.
Não pareciam tão diferentes de mim, a não ser pela coragem de contrapor-se.
Não sei se eles resolvem seguir este sentido para ver os rostos das pessoas, para protestar contra o sentido das massas, ou simplesmente porque querem variar um pouco.

Mas dentre todos eles tinha um velhinho.
Um velhinho subversivo!
Balançava o seu guarda-chuva sorrindo e comprimentando as pessoas com um simpático BOM DIA, olhando nos olhos e complementando com alguma frase do tipo “sorrir é muito importante”.
Todo torto, a idade já tinha feito os seus estragos, passos lentos, mas um lindo sorriso no rosto, e uma vontade de apenas ser humano, ser alguém vivo.
Que maravilhosa subversão!
Porque a regra é o silêncio, o mau humor, o “ficar na sua”.
A regra é não se envolver, não puxar papo, não passar ridículo.
A regra é não se expor, não dizer o que sente, não arriscar levar um fora.
E assim o bando segue silencioso, ou conversando apenas nos pequenos bandos, seus guetos.
Até que a experiência de vida do velhinho, que os anos acumulou, toma uma atitude de levar a própria vida para nós, os que seguem as regras que nem sabemos quem fez.
Vida em forma de sorriso. Vida com palavras doces. Vida com desejos de bom dia.
Confesso que enchi os olhos de lágrimas ao perceber que muitas vezes só somos subversivos quando nos resta dizer um bom dia, quando também somos velhinhos.
Deveríamos ser mais!!!!!! E deveríamos ser mais cedo!!!!!!
Deveríamos questionar mais, sorrir mais, arriscar mais, amar mais, e não ligar por não ser tão parecido com o bando.
Deveríamos saber que só somos iguais vistos de longe.
Mas também deveríamos saber que a diferença enriquece toda a humanidade.

UM BOM DIA BEM SUBVERSIVO PRA VOCÊ!!!!!

sábado, 24 de julho de 2010

TICACA

Fizeram aqui no Reino Encantado de Mucinho a maior propaganda de um pão chamado Ticaca.
Experimentei.
Realmente é muito bom. Feito um pão doce, molhadinho, mas com uma massa diferente.
Dizem que só tem por aqui.
Então comprei para levar para o povo da Capital provar desta maravilha.

Liguei para uma tia....
“Tia, tô levando uma coisa para você experimentar. Ticaca.”
“Quero titica não.”
“Não é titica, tia, é ticaca. Outra coisa e não tem nada a ver com galinha.”
“O que é então?”
“Não posso dizer. É surpresa, mas você vai gostar.”
“Ticaca não é uma cidade?”
“Não, tia, aí é Titicaca. Tem um "ti" a mais.”
“E o que é então?”
“Só posso adiantar que é de comer.”
“Com este nome, não sei se quero. É doce ou é salgado?”
“É gostoso! Confie em mim. É doce.”
“Sei.... Mas tô de regime.”
“É só para experimentar.....”

(Caramba! A gente querendo agradar e ainda esta peitica).
“Tá bom. Vamos ver.”

Levei.
O tal ticaca é gostoso, mas a forma do pão é meio esquisita.... umas rosquinhas entrelaçadas formando um emaranhado esbranquiçado com toques de amarelo – do creme.
Minha tia experimentou.... e também gostou.
“Hum! Bom mesmo.”
“Não falei?”
“E com café fica melhor ainda.”


Fiquei contente. Este era o próposito, afinal de contas. Afinal existe vida além da Região Metropolitana do Recife, e coisas que só existem no interior....
Uma semana depois liguei para minha tia.

“E então, quer mais ticaca?”
“Não.”
“Porque?”
“Por que engordei comendo aquele cérebro doce.”

(....)
Não é que o ticaca tem forma de cérebro...
Eca!

terça-feira, 20 de julho de 2010

DIA DO AMIGO



Hoje meu irmão faria 42 anos.
20 de julho!
Dia do amigo.

Sabe, sempre comi bolo neste dia.
Sempre foi um dia feliz.
E não vou abrir mão disso.
Encomendei um bolo.... no meu Reino Encantado de Mucinho. Chamei todos os pirralhas que conheço.
Vai ser uma festa aqui no cartório.
Vai ser o dia do amigo-mirim.
Tenho certeza que Albano adoraria um aniversário assim.
E acho que ele vai estar aqui, de alguma forma (nem que seja no meu coração), comemorando seus 42 anos, junto com um monte de crianças.

A vida tem muitos segredos, muitas alegrias e muitas dores.
Nada importa tanto.... o que vale mais é tentar fazer valer a pena, todo dia, o dia todo.

Feliz dia do amigo!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Relembrando.... VOTOS 2006.

2006...

Fiquei pensando em como desejar um feliz Ano Novo para as pessoas que amo... Estava mais perdida que calcinha em lua-de-mel, não sabia nem por onde começar, até que vi uma comunidade no Orkut sobre ditados populares. Ri tanto que resolvi compartilhar com vocês!
Este ano não foi fácil pra mim, como vocês sabem... mas como jacaré que dorme vira bolsa, levantei as mangas e voltei a luta. Nada como um dia após o outro para ver que os problemas não são tão difíceis quando se tem amigos. E amigos é o que não me falta, graças a Deus!
Sei que quem quebra galho é macaco gordo, mas muitas vezes vocês foram estes primatas gorduchos para mim. Sei também que as vezes eu sou calça de veludo ou bunda de fora, mas tenho aprendido que o meio termo também existe. Aliás, muitas coisas tive que aprender nesses últimos 5 anos... afinal pra quem está com uma tora no cu, graveto é calço. Por isso, de problema pequeno tô rindo...
Sinto que este 2006 vai ser um ótimo ano. Deixei um pouco de lado o sonho de ser arquiteta, mas terei a tão sonhada estabilidade, e isto, por enquanto, me basta. Foram anos ralando, estudando feito louca, concurso não é fácil! Afinal, mamar na vaca todo mundo quer, mas dar para o boi... E o boi é violento! Quantas vezes não me senti burra? Incapaz? Lesa? Quantas vezes não questionei se estava fazendo a coisa certa? E agora espero ansiosa março chegar, e nem mesmo o sertão me apavora.
Conheci pessoas novas, com novos horizontes. Aprendi a ser mais decidida, fiz a maior descoberta da minha vida: não sou lago para esfriar cu de pato. Afinal, quem tem em quem se escorar vive caindo, e eu cansei de ser escora. Apesar de ser leal e gostar de ser uma boa companheira, não quero que confundam mais gentileza com gente lesa. Agora respeito meu espaço da mesma maneira que gosto de respeitar o espaço dos outros.
E o que desejar para vocês? Vocês, que sempre estiveram do meu lado...
Desejo o melhor!
Sei que a vida não é uma caixinha de jujubas, mas ela é nossa e é tudo que temos.
Quero que vocês sejam felizes e descubram novos caminhos. Que sigam os seus sonhos, não os sonhos que querem para você, porque passarinho que acompanha João-de-Barro vira servente de pedreiro. Sei que muitas vezes é fazendo merda que se aduba a vida, mas que as merdas que por ventura vocês façam possam ser pequenas e sem maiores conseqüências.
Que vocês possam aproveitar as oportunidades, porque oportunidade tem a frente cabeluda e as costas lisa, e muitas vezes deixamos que ela passe por nós.
Que vocês possam dizer muitos "eu te amo", e dar muitos abraços e beijos. Que tenham a alma cheia de esperanças, e que sejam jovens de coração, porque se ruga fosse sinal de velhice, saco de homem era pré-histórico.
Não liguem se as pessoas lhe acharem chatos, afinal chato é chinelo de gordo! Sejam verdadeiros, e isso é o maior de todos os charmes.
Que se tiverem que enfrentar algum problema, que sejam com força e fé, afinal tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador. E se tiverem que escolher, mal por mal, prefiram o de Alzheimer ao de Parkinson, porque é melhor esquecer de pagar a conta da cerveja do que derrubar tudo no chão.
Espero, com todo o meu coração, que 2006 seja um ano mágico para todos nós.
Já que feliz é dono de sex shop que pode dizer aos seus clientes: - peguem as suas coisas e vão se fuder! E o cliente ainda sai feliz, espero que todos abram um sex shop neste novo ano.
Amo vocês!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Coragem para ser amado.

Estava aqui pensando no livro que estou lendo.
Interessante como pessoas inteligentes são instigantes.
O livro é um de Pe. Fábio, umas Cartas que ele escreve para um tal de Gabriel. Devo confessar que no início fiquei cheia de dedos pra ler este livro, pensando ser mais um livro um pouco alienante. Mas me surpreendi.
As cartas que Gabriel escreve são ótimas.
E estava aqui pensando no que ele disse sobre as posturas de pessoas que falam bem, coisas lindas, mas que a vida não condiz com o que escreve (ou fala). Ele comenta sobre Freud, que foi um gênio em muitos sentidos, mas foi um péssimo pai, um homem de temperamento difícil.

E então me pego pensando como é bom encontrar pessoas que nos fazem sentir bem apenas pela presença. Sem precisar elaborar coisas bonitas, nem grandes acontecimentos.
É bom ler um livro que nos faz pensar... mas porque muitas vezes as pessoas dizem tudo tão perfeito, e sua vida é tão diferente?
E aí descubro que é fácil dar conselhos aos outros, ver no outro o que o atormenta, ou ver a solução exata do problema alheio... mas quando a coisa é com a gente.... como é difícil!

Algumas vezes tento me ver com os olhos de outros. Imagino como minha mãe me via, ou como um amigo me vê. Parece que se trata de outra pessoa.
Quando amamos vemos coisas surpreendentes, e então me pergunto porque eu não vejo tantas qualidades assim em mim.

Talvez seja porque conosco vemos os defeitos mais escondidos, os sentimentos nada nobres, e toda esta feiura faz com que as qualidades sejam ofuscadas. Mas será que os outros não vêem nossos defeitos também? E se assim o fazem, não são mais gentis com nossa humanidade?
Talvez seja a falta de amor por nós próprios que faz com que nos tornemos tão exigentes, tão críticos e tão pouco cheios de perdão para conosco.
Um dia desses li que "é preciso ter força para amar, mas é preciso ter coragem para ser amado". Interessante!

É a mesma coisa com a ajuda. É mais fácil ajudar do que ser ajudado. Neste caso porque ser ajudado nos deixa numa posição "inferior", e vivemos num mundo de vencedores.
Mas ser ajudado requer mais do que força, requer coragem.

Gosto da idéia de buscar coragem... é uma boa meta a ser alcançada.

domingo, 11 de julho de 2010

Eu tento buscar o corpo...

Quando eu estava cursando o segundo ano de arquitetura tive uma crise com a minha futura profissão.
Comecei a pegar alguns projetinhos de ambientações (decoração) e perdi o encanto.
Não conseguia ver sentido em ficar buscando o belo de forma tão ostensiva.
Achava estranho tantas “futilidades”. Um sofá liiiiiiiiiiiiiiindo de morrer, mas que custava 20 vezes mais do valor que um gari ganha por mês. As mulheres preocupadíssimas com os puxadores das gavetas, que também eram caríssimos. E ainda me faziam ir escolher estas coisas em pleno sábado de sol... Detalhes tão idiotas que me davam repugnância.
Pensei em largar tudo e fazer outro curso. Mas não podia deixar arquitetura e fazer outra coisa, pois não tinha dinheiro pra passar mais seis anos numa faculdade e ainda arrumar dinheiro pra um cursinho pra o vestibular.
Enfim, fui levando arquitetura neste segundo ano.... até que o melhor amigo de um namoradinho meu me falou uma coisa que mudou isso.
Ele disse: Miki, arquitetura não é futilidade. TODOS deveriam ter acesso ao trabalho de um arquiteto. Todos deveriam morar em casas projetadas, com conforto e beleza. Mas o fato de que nem todos tenham acesso a isso não significa que isso é fútil. Devemos lutar por um mundo mais justo, e não desistir da arquitetura.

Pois bem, comecei a ver arquitetura de outra forma. E ainda bem que a crise passou, pois amo ser arquiteta, mesmo que atualmente trabalhe num cartório no Reino Encantado de Mucinho.
Confesso que nunca gostei de ambientações. Não tinha paciência pra escolher puxadores de gavetas e similares. Não sou “fresca” o suficiente pra entrar neste mundo. (Sabe o que é ser fresca? Ou isso é um termo pernambucano?)
Na verdade nunca achei que ambientações (decoração) fosse arquitetura.
Arquitetura é aquilo que está acima da moda... é o prédio que, mesmo sem cuidado ou pintura, mesmo abandonado, continua lindo. Arquitetura é a pessoa, ambientação a roupa.
Uma pessoa bonita pode estar vestindo molambos e continua bonita. A roupa melhora o conjunto, não vou negar, mas é pouco comparada ao corpo.
Enfim, depois de passar por isso, e por muitas outras coisas, comecei a colocar as minhas vaidades no lugar delas. E também comecei a ir além das vaidades das pessoas que conheço, ver o corpo por baixo de tantos disfarces.
Costumo dizer que daqui há 50 anos todos que eu conheço serão saquinhos de ossos e que pouco importa o puxador de inox da gaveta.

Ontem uma amiga minha disse que queria ir de bicicleta para o trabalho, mas que achava ridículo ela, de 40 anos, ir para o trabalho pedalando.
Que importa isso? Daqui há 50 anos – argumentei – você vai ser um saco de osso e talvez, com sorte, alguém lembre de você... mas tenho certeza quase absoluta que ninguém vai lembrar da sua bicicleta. Por isso: “vá simbora” e compre sua bicicleta!

Eu penso assim: gosto de coisas boas. Gosto de bons perfumes. Gosto de boas roupas. Gosto quando posso comprar algo pra deixar minha casa mais bonita. Mas tenho consciência que tudo isso é apenas “roupa”. E eu tento buscar o corpo...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

NÃO ACREDITO EM TELEFONES...

Outro dia estava conversando com uma amiga sobre o conhecimento da física e da química.

Tudo na natureza, de uma certa forma, pode ser decomposto nestas duas ciências... e isso me lembrou um papo muito antigo, que tive com meu priminho que então tinha uns 8 aninhos, e contei pra ela.

Meu priminho me perguntava do que nós éramos feitos.
Comecei a explicar que tínhamos muuuuuuuuuuuitas células, e que cada uma tinha a sua função. Tinha as células do pulmão (e aí dei uma inspirada profunda pra ele ver o pulmão se encher), elas pegam o oxigênio de fora pra colocar pra dentro. Tinha as células da pele, que protegia nosso corpo contra as sujeiras. Tinham as células da cabeça, que fazia a gente pensar... e por aí foi.

Depois desta explicação simplória, ele perguntou do que eram feitas as células.

Bem.... a natureza tinha muitas substâncias diferentes. E cada substância tinha uma parte bem pequenininha que se chamava átomo. A natureza tinha muitos átomos diferentes que se juntavam e formavam uma nova coisa. H2O fazia a água, que era feita de dois átomos de hidrogênio com um de oxigênio. Se em vez de colocar um só oxigênio, a gente juntasse dois, formava H2O2 que era a água oxigenada, que a gente coloca nos ferimentos, e que era diferente da água só por causa de um atomozinho de nada. Então a natureza era cheia de combinações diferentes... todas feitas destas partes bem pequenas chamadas de átomos.

Ele pensou, pensou, e então me perguntou se nós éramos feitos de átomos.

Sim, somos. Somos feitos de muitos, muitos, muitos átomos que se juntam. Tudo é feito de átomos que se juntam. Os bichos, as cadeiras, as escolas, o ar, as nuvens, as comidas, tudo tudo.

E porque a gente fala, e as cadeiras não?

(...)

Bem, temos vida. E a vida é inexplicável. De repente nossos átomos formaram células, e nossas células ganharam vida. Um sopro de vida que foi dado por Deus. Quando este sopro for embora, nossas células morrem e viram apenas átomos, como as cadeiras. Somos feitos das mesmas substâncias que fazem todas as coisas, mas algumas coisas ganham vida e outras não. O que nos faz diferentes das coisas é este milagre da vida, que não se explica.

Nunca mais esqueci este papo. Não sei se na época meu primo entendeu direito tudo isso. Mas pela primeira vez eu tive esta visão de loucura da vida. Do milagre da vida. Do sopro que é dado a alguns átomos.

Pois é. Minha amiga também nunca tinha pensado assim. E depois de algum silêncio, ela me perguntou se eu acreditava em tele-transporte-molecular (ou algo assim).

É, acho que não acredito. Estranho isso de minhas moléculas saírem por aí...

E quem acreditava no telefone há uns 200 anos atrás, argumentou minha amiga. Não é esquisito uma pessoa falar aqui e ser ouvida no Japão?

(Hum....)

Esquisitíssimo!
Sabe de uma coisa? Também não acredito no telefone!!!!!!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

QUE MARCOS QUE NADA!

No Reino encantado de Mucinho... mais um caso.

Eu lavava meu carro com o sr. ... (desculpe o termo) Furico.
Não posso usar outro nome, porque o nome/apelido dele era este.
Ele trabalhava no Posto de Gasolina daqui de Mucinho.
Quando eu ia deixar o carro era aquela agonia....
Não ia mandar chamar "seu Furico" de maneira nenhuma!
“Queria falar com Seu Furico...”
“Preciso que Seu Furico lave meu carro...”
“Como encontro seu Furico?”

Com que cara eu ia dizer isso?
Eu, trabalhando com o Juiz da cidade, tendo que colocar moral....
E então, ficava no disfarce....
"olha, cade o rapaz que lava o meu carro?"
"Quem é?"
“É um que sempre está por aqui?”
“Tem muitos...”

(CARAMBAAAAAAAA)
"É um baixinho... magrinho..."
"Ah! É o FURICO".

E eu, na maior cara de pau, fingia que não tinha ouvido. Virava o rosto, fazia qualquer coisa....
Furico aparecia, lavava meu carrinho, e estava tudo certo.
E assim passaram os meses, e muitas lavagens mais aconteceram.
Até que levei um carão de um amigo meu, dizendo que eu devia perguntar o nome dele e chama-lo pelo nome.
Que este apelido degradava o ser humano que ele era, e etc e tal.
Me senti um lixo de ser humano.
Eu, que tento tanto ser uma pessoa melhor, ficava rindo com meus amigos do "seu Furico" que lavava meu Raposão (o nome do meu carro).
Pois bem, perguntei o nome...
MARCOS.
Agora poderia chama-lo pelo nome, e minha consciência estaria limpa de toda mácula.
"Por favor, cadê o Marcos?"
"Quem?"
"Marcos, que lava meu carro?"
"Quem é Marcos?"
"Ele lava meu carro..."
"Não sei quem é Marcos..."
"É um baixinho, magrinho..."
"Ah! É o FURICO!!!!!"

Juro que deu vontade de dizer:
É SIM, É O FURICO, FURICÃO, SEU FURICO MESMO!

E assim, nunca mais chamei Furico de Marcos, e minha consciência nunca mais doeu.

sábado, 3 de julho de 2010

A ESTRELA MAIS BRILHANTE: ESPERANÇA

Não assisti o filme Miss Potter. Vi o trailler....
Uma contadora de histórias infantis.

Não sei se consigo ver a beleza escondida em fatos normais. Tem horas que até me acho pessimista.
Mas é que sou feita de pequenos detalhes.
Talvez este seja o segredo: ver os detalhes!
Por que, apesar de as vezes achar a vida uma bosta monstruosa, ela é engraçada.
Penso assim: tudo é igual.... a gente nasce, aprende a andar, aprende a falar, a ler, se apaixona, casa, tem filhos, cria os filhos, fica velho, bajula os netos, fica doente, morre.... Mudando alguns poucos detalhes, a vida se resume nisso.
Mas são os detalhes que fazem a diferença. Porque olhando muito de cima, a vida é totalmente sem sentido. Viramos apenas formigas, uma massa sem identidade. Tudo igual.
Mas aí tem o cara do munguzá, que alegra algumas tardes no reino encantado onde trabalho. Tem o bebado que morre de medo de mim (mas me ama, porque adora vir me azucrinar). Tem o louco, que pensa que é assessor do juiz. E esses detalhes que mudam o colorido de tudo.

Vejam só, outro dia cheguei na Caixa aqui de Recife e já fiquei arrasada. Tinha um homem com uma carteira de trabalho em frangalhos e queria sacar um dinheiro. Estava falando com a gerente. Tinha perdido o cartão e os outros documentos. A gerente estava danada, porque provavelmente ele é um "perdedor de documentos habitual". Era a quarta via do cartão que ela pedia. Ele devia ser mais um bebado, dos muito que conheço na cidade onde trabalho. E aí aconteceu algo inusitado, ela disse que não devia liberar, e ele começou a chorar. Fiquei péssima. A gerente também. Lógico que liberou o dinheiro..... e ele foi embora, pra mais uma vez perder tudo, e continuar o mesmo ciclo.
Quantas vidas desperdiçadas!
O grande mal: FALTA DE ESPERANÇA.
Eis aí o grande X da questão...... ESPERANÇA.
Ela muda tudo..... é a salvadora dos sorrisos, dos abraços, da alegria. Sem ela, tudo fica insosso, cinza, sem sentido.

E assim caminha a humanidade.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O início num dia triste.

Não sei exatamente como começar um Blog, muito menos sei se alguém um dia vai ler tudo isso que eu escrevo... mas escrever tem sido mais forte do que muitas coisas que faço no dia-a-dia. Então, por sugestão de alguns amigos, aqui está o meu Blog.


Começo meu Blog num dia triste.


Ano passado, em agosto, comentei com minha tia Ignez que não era justo uma pessoa trabalhar no dia do seu aniversário, muito menos acordar as 6 da madrugada e pegar uma BR em plena segunda-feira!

Ela respondeu: Isto é VIDA!

Tive vergonha do que falei.

Sim, isto é vida, e vida em abundância.

Aos doze anos minha tia descobriu que em seu corpo existia uma tal doença auto-imune: artrite reumatóide. Não sei exatamente do que se trata, mas sei que todas as articulações são danificadas, e os ossos perdem seus encaixes. Ela começou a tomar corticóide aos doze anos, e logo após ficou também diabética. Teve um câncer de mama. Perdeu a capacidade de pintar quadros, depois ficou difícil até segurar um livro e ler. Perdeu vários bebês em gestações bem difíceis.

E minha tia era linda na juventude, tinha um gênio danado, algo de nordestinas.

Ela sempre levantou de cada queda, e olhe que foram muitas!

Hoje eu penso o que minha tia não daria para poder levantar da cama numa segunda-feira e apenas ir trabalhar.

Há mais ou menos cinco anos ela amputou uma perna. Ficou presa a uma cama, não tinha forças para encarar uma prótese. Nos últimos meses, nem conseguia segurar os talheres para se alimentar.

Minha tia acordava todos os dia para assistir TV, era uma escrava, presa em um corpo frágil.

Minha tia tinha 64 anos, e hoje ela simplesmente não acordou. Cansou dos grilhões que a prendiam num cárcere privado. Sua alma era bem maior do que aquele quarto.


Que vergonha eu sinto hoje por ser tão fraca e reclamar de tantas coisas.

E quer saber, sinto orgulho de ter em mim um pouco dela.

É assim que enterro quem amo: buscando em mim o que deles eu sou um pouco.


Acordar numa segunda-feira pra trabalhar... ora bolas... ISSO É VIDA!