Crônicas do dia-a-dia e alguns pensamentos. A vida cotidiana tem muitas histórias que merecem ser contadas.
Postagens populares
-
Eu tenho uma amiga (que não vejo há muitos anos e hoje mora em São Paulo) que inventou de ser astróloga (além de advogada). Uma vez ela fez...
-
Primeiro arrume a jaca. Tem que ser verde! VERDE! Não é verdosa. Mais ou menos verde, verdinha. Não! É verde mesmo, quase o aborto da j...
-
Costumo rir a beça com uma amiga minha de colégio.... Uma vez estava um monte de meninas lá no colégio (há séculos atrás) discutindo o porqu...
-
Não é fácil se fazer entender. E não falo nem de uma pré-disposição à boa linguística, com uma correta exposição dos sentimentos. Falo do...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Suculento cadáver!
Saí da caverna e vi um mundo de horrores.
Um mundo onde seres são torturados e mortos, tratados como objeto, ridicularizados, massacrados, humilhados.
Comecei a me perguntar se preciso viver assim, se realmente preciso que outras vidas sejam subjugadas completamente para que eu respire.
Meus olhos se abriram e vi a porta da caverna.
Percebi a imensidão de tudo, e me percebi parte desta consciência que tudo cria, que tudo faz, que tudo percebe, que simplesmente É.
Senti em mim que somos parte integrante de um universo infinito. Todos nós. Todos!
Tudo que existe, na sua composição mais básica, é a mesma coisa.
Diminua a escala e amplie a sua mente!
Diminua a escala e se permita sentir.
Diminua e cresça.
Diminua e sinta Deus!
E vendo que somos todos interligados de alguma forma, me perguntei se o meu alimento condizia com meu propósito de paz verdadeira.
Saí da caverna e me dei conta que não preciso me alimentar de angústias.
Que mundo horrível construímos!
Quanta dor...
Não consigo ver os grandes ícones de sabedoria pegar um pintinho e cortar-lhes o bico para que o estresse não o faça matar seus pares.
Não consigo ver os avatares da humanidade enjaularem uma porca de forma que ela não consiga dar meia volta.
Não consigo ver Jesus espetando um touro por pura diversão, ou retirando um bezerro de sua mãe logo após o nascimento para que possa tomar um copo de leite.
Não consigo ver espiritualidade e tortura, seja lá de que vida for.
Saí da caverna e mudei.
E ao voltar, relembro Platão: ninguém quis saber dos horrores que vi, eles odeiam a verdade e continuam querendo viver de sombras.
Mas não me calo! Não me calo!
Não posso me calar.
Aprendi a linguagem dos animais, e virei sua tradutora.
E você sabe, você sente também.
No fundo cada um sabe exatamente do que falo.
No fundo, cada um sabe a dor que está por trás de um suculento pedaço de cadáver.
E não se perguntar sobre isso não muda o fato: você sabe, você sente...
Não querer ver os horrores não muda o fato de percebe-lo em cada mastigada.
Não é acusação, é contestação!
Enxergar o óbvio....
Eu também comia cadáveres!
E hoje vivo em PAZ.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Legislação objetiva indireta?
Estava aqui pensando...
A vida dá muitas voltas, eu bem sei!
Lembro de quando me debruçava numa prancheta, com meus esquadros e minha escala.
Gostava de desenhar!
Namorava horas com meus desenhos.
Imaginava vida nas minhas plantas baixas. Parecia brincadeira de casinha.
A mulher chegava, colocava a bolsa na sala, ia à cozinha beber água, depois entrava no quarto, ia ao banheiro, tomava banho, trocava de roupa no closet, ia assistir tv na sala de tv.
O marido chegava com as compras, descarregava o carro, levava as compras para a cozinha, ia para o quarto, tomava banho, trocava de roupa, ia para a garagem verificar o carro, limpava as ferramentas no depósito.
A empregada guardava as compras nos armários, ia lavar roupa, estendia as roupas, armava a mesa e ia passar roupas.
Acredita que os meus colegas de faculdade adoravam as minhas histórias?
Quando eu chegava com meus desenhos, ia explicar como tudo funcionava.
Aí começava.... "a mulher chega (vrummmmm) , estaciona o carro aqui... salta do carro e chama a empregada (Maria!).... aí a empregava vem por esta portinha de serviço, ajuda a pegar os pacotes e leva tudo pra sala (puft!)... aí o filho chega da escola (mamãe, quero sorvete! - Tá bom!)... aí iam para a cozinha, ela abria a geladeira e colocava o sorvete na mesa da cozinha..."
Até hoje tenho um amigo que se acaba de rir lembrando.
Diz: "Lá vinha Miki com os projetos e as histórias!"
Sinto saudade de brincar de casinha.
Hoje minhas histórias são outras.
Hoje me deparo com "aplicação subsidiária", "legislação adjetiva", "conhecimento de ofício"....
Tem que ter um preparo psicológico e gramatical pra encarar isso. No início eu não entendia nada...
Aplicação subsidiária é depois da aplicação principal, aplica um depois o outro?
E legislação adjetiva? É aula de português? Tem a legislação substantiva e a legislação predicativa? E o que seria a legislação objetiva indireta?
Nem vou falar da legislação verbal....
Conhecimento de ofício???? Existe também conhecimento de memorando, conhecimento de comunicado, conhecimento de edital?
Deus que me perdoe, mas Direito é muito mental...
Falta o lúdico!
Falta o louco!
Faltam as fantasias...
Ou até tem, mas é de outra forma. Tudo dentro da cabeça... nada é visual!
Eu dançava no meu escritório. Sério! Quando emperrava alguma solução, eu levantava e dançava.
Lógico que a única testemunha era a minha sócia....
Mas era bem produtivo!
Ríamos enquanto trabalhávamos. Era divertido!
E como eu brincava de casinha!
E eu via meus sonhos... no papel.
Não sei....
A princípio o lúdico foge aos interesses dos litigantes.
Tudo é preto-no-branco.
Tudo é ou seu ou meu.
Tudo é separado...
Tudo é inimizade.
E então você me diz: “Na hora de resolver um litigio ou briga, o elemento lúdico talvez não seja apropriado.”
E eu retruco: talvez, um dia, daqui a milênios, se duas pessoas litigarem o juiz poderá ir passear com os inimigos e mostrar a harmonia da natureza, a distância das estrelas, o rio que corre e tudo arrasta, as ondas que vão e vem, as nuvens que passam, o sol que se põe, a pele que envelhece, a morte que chega.... e talvez as partes, inicialmente aborrecidas, acabem por ver a pequenez da discórdia e deem as mãos.
Quem sabe?
Assinar:
Postagens (Atom)

