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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O safado do Futuro... do Pretérito!

Tem gente que tem medo de fantasmas, tem gente que tem medo de escuro, tem gente que tem medo de rã, tem gente que tem medo de elevador... eu tenho medo do Futuro do Pretérito!
Um tempo verbal safadinho, que chega de mansinho e nos remete a uma melancolia do que nunca existiu.

Incertezas, hipóteses, irrealidades.
É o canto das sereias em forma de verbo.

Eu compraria aquela casa...
Tá! Comprou não? Então pouco importa os motivos, a casa não é sua.
Passou, não deu, foi-se.
Podemos até refletir sobre os motivos de não ter comprado a casa, mas com o intuito de um autoconhecimento, e não de punição.

Mas o Futuro do Pretérito é um malandro, com carinha de anjo. Vai chegando sorrateiro e tomando conta dos nossos pensamentos.
Ah! Eu comprariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia aquela casa...
E depois vêm estas perigosíssimas reticências feitas de sonhos que nunca vão se realizar. Ou, pelo menos, quase nunca.
Três pontinhos muito amigos do Futuro do Pretérito.
Quando os quatro resolvem se encontrar numa frase, o horizonte fica nublado.
Paramos hipnotizados com um nó na garganta.
Fracassamos – pensamos – e então colocamos em nossos ombros um tantão de infelicidade.

E se o verbo for PODER, corra!
E corra muito, o mais rápido que puder.

Poderia ter dado certo...
Pronto! Basta um “poderia” deste pra nos manter enjaulados por séculos num mar de possibilidades mortas.
Poderia, poderia, poderia...
Mas não é, não foi, não aconteceu, não rolou.
Passa a página!
Esquece!
A vida é muito curta pra cair nesta pegadinha.

Ah!
Sabe de uma coisa?
Bem que eu poderia ter medo de fantasmas...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CHORANDO POR LÁZARO.


Muitas passagens bíblicas me intrigavam quando eu era mais nova. Não as entendia, achava injustas, questionava. Não João 11. Esta passagem era tão normal. Falava de esperança, mas nunca questionei os detalhes.... até um dia.

“Jesus pôs-se a chorar.” Jo 11, 35

Neste dia foi-me perguntado, numa catequese, o seguinte: POR QUE JESUS CHOROU?
Ora, não tinha mesmo lógica. Jesus sabia, mais do que ninguém, sobre a eternidade da vida. E além disso, Jesus sabia que Lázaro iria sair daquele buraco.
Então por que o choro? Por que o desespero?
Por que Jesus chorou afinal de contas?

Jesus chorou não por Lázaro.... mas pelos outros que não tinham fé suficiente para passar pela morte.
Se nossa fé fosse só um pouco mais forte, não choraríamos pela morte.
A morte faz parte da vida, e é sinal de mudança, de renovação.
Então hoje me pego pensando sobre as muitas mortes que vivemos no nosso dia-a-dia, e quanto desespero diante de portas fechadas.
Isso também me lembra uma outra frase que li um dia desses: aprenda a morrer e aprenderá a viver.

Nem sempre uso o que sei na minha vida. Nem sempre faço da fé e da esperança meu estandarte. Muitas vezes caio em desespero e fico apenas olhando as portas fechadas, e não olho para os lados, para ver as janelas abertas.
O segredo para saber realmente viver é quando aprendemos a morrer.
Depois, por exemplo, que passamos pelo risco da morte numa doença, vemos detalhes que passavam despercebidos. O dia bonito, os passarinhos, o sorriso de alguém, as pequenas bobagens deliciosas que não enxergamos porque teremos tempo num futuro para vê-las.
Mas este futuro é sempre futuro, nunca temos tempo pra faze-lo presente.

Não quero que “Jesus chore” pelo meu desespero diante de perdas. Quero que “Jesus sorria”.
Quero saber que diante das perdas eu até tive raiva, xinguei a beça, chutei o pau da barraca, mas não me desesperei, porque sempre soube olhar as janelas abertas.
Nem sempre a vida é do jeito que queremos. A teimosia em passar por aquela porta nos impede de pular uma janela e caminhar livres. Ou a teimosia em amamentar uma ninhada morta nos impede de buscar novas crias vivas.

Viver é uma grande arte, sobreviver é o normal. A maioria de nós apenas sobrevive.