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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus naufrágios.


Estava conversando com uma amiga e comentei que outra amiga iria passar o Ano Novo na praia.
Que praia, perguntou-me curiosa.
Esqueci, respondi.

Tenho me dado conta, há algum tempo, que não sou mulher de me deter nos detalhes das coisas, mas vale para mim os detalhes dos sentimentos.

"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"


Que importa o nome da praia?
Que importa se a praia é no litoral sul ou norte de Pernambuco?
Ela vai estar na praia, e só.
Vai olhar as estrelas, vai ouvir as ondas baterem na areia, vai molhar os pés... o resto são nomes.

Tenho no meu peito um coração do pós guerra, sem ter vivido uma guerra.
Um coração duro, prático, mas humano o suficiente para ser capaz de cuidar sem reservas, quando o cuidado é realmente necessário.
Pouco importa o nome da praia.
Pouco importa a marca da roupa.
Pouco importa a cor do carro.

"...depois de todas as tempestades e naufrágios..."


Aqui em meu prédio alguns condôminos brigam enfurecidos por um jardim que a síndica resolveu destruir.
Nada vem mais forte no meu pensamento do que classificá-los como um bando de pessoas que buscam em causas idiotas algum sentido para uma vida sem muito sentido.
Pra que tanta raiva por causa de um jardim nos fundos do prédio, e que andava horrível?
Cruzo no elevador com alguns, e tenho que ouvir argumentos tão bobos, e pedidos para que me posicione.
Não tenho tempo pra isso!
Quer uma posição: NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA TANTA BOBAGEM!
Que importa um jardim, que desune tantas pessoas que vivem num mesmo espaço?
Pra que tanto radicalismo, pra que tantos detalhes bobos.
Tudo é tão maior.
Gente, tudo é tão maior!!!!
Acordem!!!!!!
Coloque o jardim... tire o jardim... mas não passe pela vida batendo o pé por questões pequenas, e esquecendo as grandes...
O amor vale mais, a tolerância, o sentimento, o cuidado, a verdade.

"...depois... "

Mais um Natal passarei sem minha família, e meu coração bate como em Auschwitz.
Tenho consciência que o nome da praia não é tão importante, mais importante é poder estar com o coração batendo junto com todo o universo, e sentir nos pés a água que vai e vem, e que tudo leva.
Isto me faz sentir viva, sentir que tudo vale a pena.
Não me culpem por esquecer o nome da praia, perdoem meu coração e saibam que não esqueço o nome de quem amo.
Enquanto tiver tempo, enquanto puder sentir a água do mar em meus pés, estes são os detalhes que darei valor.
A praia? Basta se chamar PRAIA.